Clareamento Dental

O clareamento dental é uma técnica que se inseriu há décadas na prática odontológica associado aos procedimentos estéticos e evoluiu muito desde que Haywood e Heymann em 1989 propuseram o sistema Nightguard de clareamento caseiro com moldeiras. Desde então muitas técnicas têm surgido para melhorar o conforto do paciente e diminuir o tempo de aplicação do produto. Todas as técnicas se igualam nos resultados pois quem efetivamente realiza o clareamento é o mesmo produto, o peróxido de hidrogênio. O que muda então? Inicialmente a ativação do gel clareador era feita com a utilização de uma fonte de calor, com as espátulas aquecidas e lâmpadas de alta intensidade (Fotoflood, Fotopolimerizador). No entanto, a alta penetração do peróxido de hidrogênio, associada à elevação da temperatura causada por essas fontes, resulta no aumento da sensibilidade. Desde então as técnicas têm buscado diminuir a geração de calor, diminuindo a sensibilidade durante o tratamento. No clareamento dental fotoassistido trabalhamos com interação de uma fonte de luz com o tecido alvo e muitos detalhes são determinantes: o tipo de luz (laser, LEDs, xenônio, halógena); características do gel (faixa de absorção, cor, espessura, pH) a própria morfologia da estrutura de esmalte e dentina e os parâmetros ideais para cada equipamento utilizado. (densidade de potência, e o tempo). A luz halógena do fotopolimerizador emite luz azul mais raios infravermelhos (que aquecem), a luz de xenônio/arco de plasma embora tenha um filtro óptico mais eficiente ainda emite os raios infravermelhos junto com a luz azul.

O grande diferencial nas técnicas de clareamento foi o laser de Argônio, aprovado em 1996 pelo ILT (Tecnologia Íon Laser) nos EUA, que modificou o conceito existente até então de que a ativação da reação de clareamento em consultório deveria ser feita apenas por fontes térmicas. O laser de Argônio, com potência óptica de até 200 mw consegue ativar a reação do gel de clareamento fotoquimicamente pois sua estreita faixa de emissão confere uma pureza espectral na faixa de 488 nm, sem emissão de raios infravermelhos (que geram calor). A vantagem da ativação fotoquímica é que a luz atua no produto e não aquece a estrutura dental. A utilização dos LEDs azuis no clareamento dental deve-se à semelhança de seu espectro de emissão comparável ao do laser de Argônio, surgiu após a proposição feita por Mills em 1995 para a utilização dos LEDs azuis na fotopolimerização de resinas. No Brasil, a introdução da 1ª geração de aparelhos com diodos LEDs azuis para fotopolimerização foi feita em 1999 no SBPqO (Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica). Este sistema de LEDs azuis não contém comprimentos de ondas no infravermelho, portanto quando trabalham em baixa intensidade de luz não aquecem, fazem apenas uma interação fotoquímica (sem calor).

O clareamento é uma técnica que aumenta a permeabilidade dentinária, aumentando a sensibilidade dental principalmente quando existe aumento de temperatura. Quanto menor a geração de temperatura de um sistema de clareamento, menor a sensibilidade. . Neste sentido é que as novas técnicas de clareamento devem evoluir, além de diminuir a irradiância da luz que vai ativar fotoquimicamente o gel de clareamento podemos associar lasers diodos infravermelhos em baixa densidade de potência (que não geram calor) para minimizar a sensibilidade.

Ao conjugarmos à luz azul dos LEDs, os raios infravermelhos dos lasers diodos em densidade de potências maiores, será que não estaremos voltando aos mesmos efeitos térmicos indesejáveis dos raios infravermelhos associados à luz azul dos fotopolimerizadores?

antes-e-depois-clareamento

Profª. Drª. Fátima Zanin
Doutora . em Clínicas Odontológicas pela UFRJ
Mestre em Dentística pela UNICASTELO

 

Sem comentários ainda.

Deixe um comentário